Quem é Oamul Lu?

Oamul Lu na ed. de out da Elle China

Já me perguntaram diversas vezes: como você conheceu o chinês Oamul Lu [autor de Pequenos Grandes Contos de Verdade]? O que esquecem de me perguntar é como foi trabalhar por mais de um ano com o ilustrador de 26 (hoje, 28) anos que mora em Xiamen, na China, demora a responder e-mails e não gosta de falar no Skype. Conheci Oamul por causa das pequenas animações que ele posta em seu site. Achei elas adoráveis. E vi que ele tinha um livro impresso em mandarim. Trocamos alguns e-mails e ele disse que justamente estava muito interessado em fazer um livro-aplicativo. Mas tinha de ser como O Coração e A Garrafa, do Oliver Jeffers, que tinha virado app recentemente. Oamul é muito fã de Jeffers. Será que é a influência desse artista australiano que dá esse caráter internacional ao trabalho de Oamul? Jeffers e Oamul nunca conversaram, mas estou tentando apresentá-los. Se vocês tiverem uma ideia de como, me contem. Então trabalhamos juntos na ideia de transformar três histórias de seu livro I Found A Star em app. Escolhemos três contos que Oamul afirmou terem sido inspiradas em fatos reais, histórias que ele leu no jornal ou na internet e resolveu recontar com quase nada de texto e três ou quatro (lindas!) ilustrações em aquarela. Foi então que Per Gustav Hornell e eu criamos as narrativas como elas são hoje, uma particularidade que já comentei no texto anterior. E Oamul se empenhou nas animações do app. Como é possível trabalhar por mais de um ano com uma pessoa a quem você nunca viu ou ouviu? É uma experiência que ensina muito sobre paciência, digamos assim. Ainda mais se você não viveu os tempos em que se trocavam cartas e elas viajavam de navio. Porque meus papos com Oamul realmente tiverem um quê epistolar, ainda que por e-mail. Cada mensagem tinha de levar em conta pelo menos as quase doze horas do fuso horário para receber uma resposta, mas geralmente bem mais, já que Oamul trabalha bastante e é um viajante. Meses até, em algumas ocasiões. O que não é muito agradável para quem está no meio da produção de um app. Oamul não se comunica muito confortavelmente por escrito em inglês e tem como marca registrada o fato de nunca, nunca, nunca responder todas as perguntas contidas numa mensagem. Mas isso eu só fui descobrir em meio ao processo de produção do livro. Nem pelas mídias sociais, que ele usa em abundância, dá para saber muito sobre ele porque, embora diga querer muito divulgar seu trabalho internacionalmente, raramente escreve em outra língua que não o mandarim. Mesmo com esses contratempos, nós conseguimos. O app está ai, rodando o mundo. Mas é uma pena que se conheça tão pouco desse artista aqui no Brasil, que é tão único. E esse texto, então, é uma forma que encontrei de apresentar o Oamul a vocês, depois de eu ter desistido de conseguir uma boa entrevista com o autor para postar aqui, pelos motivos que vocês já podem deduzir. Quer saber mais sobre o Oamul? Veja o que já descobrimos:

Famoso

Oamul Lu na ed. de out da Elle China

Oamul Lu na ed. de out da Elle China

Oamul não é muito conhecido no Ocidente (bem, ele tem 2 mil seguidores no Facebook), mas na China e Japão ele é bem popular (ele tem quase 90 mil seguidores no Instagram – com muitos comentários em mandarim – e 30 mil na Weibo, uma rede social chinesa) . Tanto que a Elle China acabou de publicar uma matéria sobre ele (se você souber como ter acesso a esse texto, me conte!).

Trabalha muito

Selos para a Nações Unidas

Selos para a Nações Unidas

Oamul fez uma série de selos para as Nações Unidas com o tema “Educação em Primeiro Lugar”.Ele também criou para um Doodle sobre o Ano Novo Chinês para o Google. E ainda vendeu alguns wallpapers lindos pra Samsung. Nada mal pra quem ainda nem chegou aos 30.

Viaja muito – mas se identifica com a China

Doodle que Oamul criou para o Google

Doodle que Oamul criou para o Google

Siga Oamul no Instagram e você vai ficar com inveja. Ele passa longas temporadas na Islândia, Austrália, Londres… Ele diz que faz isso pra relaxar depois de muito trabalho, mas também pra encontrar inspiração. Pra quem acha que seu trabalho ficou internacional demais, ele conta que um de seus projetos favoritos chama-se “24 solar terms”, que tem características bem chinesas. Ele explica que os chineses dividem o ano em 24 momentos, sentindo assim as estações mudarem com precisão.

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