Marina está do Contra e os "terrible two"

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Marina blogEm um lindo depoimento, a psicóloga e mãe Bianca Ventura conta sobre como, ao ler “Marina está do contra” com seu filho, relembrou aquela fase maravilhosa e enlouquecedora que se inicia aos dois anos de idade da criança (e será que acaba?), quando ela descobre sua autonomia e sente um “ímpeto de tomar as rédeas da própria vida”.

“Poucas coisas são mais poderosas do que uma narrativa. As histórias que nos contam moldam nossas formas de perceber o mundo e, por consequência, ajustam rumos na nossa própria história. Antigamente estória e história eram palavras diferentes. De tão relacionadas, hoje são uma coisa só.

Marina está do contra é um clássico porque trata de um período pelo qual muitas crianças passam. Eu, que trabalho há muitos anos com educação, só fui entende-lo quando  vivi com meu filho, há quase 3 anos. Um dia, batendo papo com uma amiga pelo Skype caí num choro improvável, cansada de não saber porque meu pequeno se opunha à quase toda orientação que eu lhe dava. Eu não entendia o que aquilo queria dizer e estava cansada dos pequenos conflitos do dia a dia. Terrible two, eu soube.

Precisei de um tempo pra entender que ele mesmo não entendia. E se frustrava, obviamente. Nós contamos sobre as regras para as crianças, mas é no jogo social que elas ganham vida. Marina sabe que a camiseta serve pra esconder a barriga, mas experimenta vestir pelas pernas. Pode ser uma brincadeira, uma provocação ou um ímpeto de tomar as rédeas da própria vida. Seja como for, possivelmente, é só uma experiência e não o presságio do fim dos tempos, é bom lembrar 😉

Marina está do contra devolve pra gente duas possibilidades mágicas de lidar com essa crise: a simplicidade da narrativa, que explora um momento, sem tecer julgamentos sobre a personagem nem deixá-la estanque numa mesma posição; e o humor, chave interessantíssima pra alcançar novos patamares de compreensão sobre as nossas vidas. Quando conheceu o app, meu pequeno pôs Marina para fazer e desfazer suas vontades inúmeras vezes seguidas. Adorou acender e apagar a luz sem que eu reclamasse que poderia queimar a lâmpada, por exemplo. Ouviu encantado sua própria versão narrada da história e algumas vezes conversou com a personagem.

Eu, que nunca tinha sequer experimentado um livro virtual, fiquei feliz em dividir com ele essa experiência. Boas histórias nos ajudam a viver as vontades sem precisar encarar as consequências delas. Não enjoam, nem envelhecem: passam adiante nas rodas de conversa. Boas histórias permitem que a gente não se sinta sozinho nas nossas trapalhadas. Por essas e outras, Marina está do contra é um clássico. Eu diria que o app conta uma boa história. Recomendo para pais, mães e filhotes em geral.

Bianca Ventura é psicóloga e orientadora educacional de profissão, mãe divorciada do Caetano, de 5 anos e madrasta da Isadora, de 9.

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