Livro de papel x Livro digital: existe mesmo essa disputa?

Por Maria Claudia Brigido* 

Sete anos depois do nascimento do iPad, ainda há muita discussão acalorada sobre a leitura infantil na telinha e seus supostos malefícios. Pessoalmente, nesses anos todos, cheguei à conclusão de que um formato não tem que ser inimigo do outro. Aliás, podem ser ótimos companheiros. O livro digital é simplesmente uma experiência diferente da leitura no papel. E isso não é ruim. Vamos falar sobre alguns dos pontos mais quentes desse debate?

 Nada é igual ao cheiro e a textura de um livro nas mãos

Claro que não. Se o livro digital não tem a experiência tátil e olfativa, por outro lado entrega animações e áudio. Não é melhor ou pior, é só uma nova forma de explorar recursos que dão aos leitores o prazer da leitura.

Pequenos Grandes Conts de Verdade: Os recursos digitais colocam a criança-leitora no colocar no papel de quem resolve problemas, gerando empoderamento.

Pequenos Grandes Contos de Verdade: Os recursos digitais colocam a criança-leitora no colocar no papel de quem resolve problemas, gerando empoderamento.

A criança brinca ao invés de ler

Isso só é verdade se pais e professores baixarem livros-app que não valorizem o conteúdo. Os bons livros digitais usam os novos recursos de tecnologia dentro do contexto da história e de maneira simples, exatamente para dar foco no conteúdo principal, que é a narrativa. Assim como no mundo impresso, é preciso escolher entre livros bons e ruins.

Livro Ouriço: A criança interage com as ilustrações e constrói a história junto com o app.

Livro Ouriço: A criança interage com as ilustrações e constrói a história junto com o app.

Livros digitais causam problemas de sociabilidade

Depende. É uma questão de estabelecer limites de tempo e realizar uma peneira de conteúdo. Desse modo, é possível estipular mais tempo em atividades “analógicas” e com amigos do que brincadeiras em frente à tela. E o mesmo vale para os livros impressos: ficar o dia todo em frente ao papel também pode atrapalhar na sociabilidade. Televisão então.

Quatro Cantinhos de Nada: Adaptação premiada do livro impresso de Jêrome Ruillier fala de diferenças e aceitação.

Quatro Cantinhos de Nada: Adaptação premiada do livro impresso de Jêrome Ruillier fala de diferenças e aceitação.

É tudo questão de…

Equilíbrio. Essa é a palavra. Temos que prestar atenção às preocupações relacionadas ao digital, mas também ter cuidado com certos alarmismos, que muitas vezes são publicados só porque chamam audiência. O ideal é você escolher conteúdos ótimos para oferecer na telinha das crianças, igualzinho ao que já faz com TV, videogame e até livro impresso. Vale conferir:

Avalie:
  • é adequado para a faixa etária da criança?
  • tem publicidade, compras internas ou acesso a redes sociais?
  • o desenvolvedor se preocupou com a qualidade de leitura da criança?

Dica: Aproveite as versões lite (mais simples e gratuitas) dos apps para testá-los. Leia junto com as crianças. Fique de olho nas dicas de especialistas. Acredito que você descobrirá no livro digital interativo não um bicho de 7 cabeças, mas sim uma nova experiência que pode estimular o gosto pelos livros nos pequenos – independentemente do formato. *Maria Claudia Brigido é publicitária e criadora do ipadfamilia.com.br, onde fala sobre apps infantis e sobre tecnologia na educação.

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