Amal e a beleza da empatia nas crianças

Da dir à esquerda: Renato Moriconi, Oula al-Saghir e Isabel Malzoni

Um relato sobre uma apresentação emocionante em Flipoços 2019

“Alguém aqui sabe o que significa estar refugiado?”, perguntava a editora Isabel Malzoni, em meio a sua fala de abertura do evento sobre o lançamento “Amal e a viagem mais importante da sua vida”, que aconteceu em Flipoços em 30 de abril. Mais do que contar sobre o livro, a ideia da palestra era conversar com aquela animada plateia, composta por turmas escolares inteiras (cerca de 300 crianças haviam feito agendamento para estar lá, segundo a organização do Festival) sobre a realidade das crianças refugiadas.

Lá no fundo, um menino chamado Otávio levanta a mão: “Ser refugiado é uma coisa horrível. Você fica sem família (…) sem escola …”. Mais para o meio da plateia, outro menino improvisa uma definição, que também diz respeito à ausência de família: “Você não tem ninguém para te apoiar quando precisa. Fica sem ninguém. Eu já passei por isso”.

Isabel explicou em seguida que não necessariamente os refugiados perdem contato com a família (embora seja o caso da protagonista Amal), para esclarecer e acalmar as crianças, que já se preocupavam com aquelas pessoas que viviam uma realidade desconhecida: o refúgio. Mas concorda com os jovens: “realmente, família é muito importante para todos nós”.

A empatia surgiu naturalmente naquela sala cheia de meninos e meninas, de 8 a 12 anos de idade. E assim é no coração das crianças, antes que sejam ensinadas para elas a intolerância, o medo e o preconceito. Para eles, não importava a definição do que significa ser ou estar refugiado, que eles desconheciam. Importava sim, pras crianças e para todos nós, que todos deveriam ter direito a estar em suas casas, com seus entes queridos, frequentar a escola, conviver com os amigos e se sentir seguros.

O evento continuou uma encenação bem poética de parte da história do livro, feita pelas atrizes Livia Camargo e Oula al-Saghir, e que usava de animações feitas pelo Renato Moriconi como cenário. Por fim, fizemos um bate-papo com Oula, que também é refugiada síria aqui no Brasil, assim como a protagonista, e com Renato, autor da narrativa visual do digital (aquelas animações) e também do impresso. As perguntas iam surgindo, uma atrás do outra. Em meio às dúvidas sobre “como se faz para ilustrar um livro” ou “É difícil fazer um livro”, Oula respondia dúvidas de outro teor, que surgiam intercaladas: “Foi difícil deixar a sua terra natal?”, “Você teve medo?”, “Por que escolheu o Brasil?”. Sobre o livro “Amal”, Oula disse que ficou contente por ter sido chamada para encenar a história da menina, porque entendeu que era importante conversar com as crianças sobre aquela realidade, explicar o que está acontecendo e incentivá-las a se importarem.

Foram quase duas horas de evento e ainda ao final, as crianças ainda procuraram os participantes da mesa pra comentar: “tia, fiquei emocionado”. Nós também, platéia mais linda de todas! Foi uma honra e uma emoção participar, de forma tão intensa, do Flipoços 2019.

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